domingo, 16 de setembro de 2018

Asas

Contavam-me quando pequena,
Uma historia de fantasia,
Que falava sobre poema.

Começava encantando, Dizendo que depois da imaginação,
Tem um reino maior,
Com mais agitação.

Lá moram as melhores pessoas,
Às vezes silenciosas de mente bagunçada,
Que lá visitam,
Para não acabarem sem importância rabiscada.

A comunicação são apenas palavras,
Suspiros, gestos compostos talvez por mágoa ou alegria que deságua.

Donas de lá,
As asas da poesia,
Se sentem no dever de acordar quem dormia,
Só para voar.

Eu então, já sonhando de olhos entre abertos,
Viajava através das ruas, tons pastéis e cores que rodeavam lápis e papéis.

Acabava sem saber,
E na manhã seguinte,
Procurava cada livro para ler,
Tentando invalidamente desvendar,
Se o que vira, era apenas sonhos a brincar.

Agora,
Percebo que isso foi herança,
E a cada vez que penso,
Tiro as rédeas das asas
E vôo até não ver mais o que me tira desta dança.

Princesa

Vestia estrelas nos olhos,
Sorriso no olhar,
Navegando na simpatia,
Que fazia desequilibrar.

Chorava gotas de ácido,
Que afundavam o coração,
E quando secavam,
Tornavam-se mais encantação.

Fechava os olhos,
Abria a mente
De um certo jeito,
Que amortecia toda gente.

Caminhava docemente,
Sobre a ponte entre a imaginação e a realidade crescente,
Desfilava sem saber.

Movia os cabelos
Para o lado poente,
Que fazia sonhar
Com uma chuva quente, de despertar as asas da poesia,
Que não falham ao voar

Elogio

É suar frio,
Depois de ouvir palavras,
Que abrem o cofre chamado coração.
É sentir um abraço,
Que envolve por baixo de tudo,
E atravessa a armadura de aço.
É sorrir com as emoções,
Cada vez mais florecidas
Que clamam por uma atenção.
É tremer,
Perder a noção do equilíbrio,
E da dimensão.
É querer repetir,
Anotar um caderninho
Pra quando quiser, só ouvir.
É amar algo intocável
Que por simples que seja,
Se transforma em imutável.

Promete

Me promete menina,
Que quando alguém te criticar
Sem base no que diz,
Você não vai ouvir.
Me promete mulher,
Que se alguem te ferir,
Não vai se humilhar,
Vai analisar e ver a medida a tomar.
Me promete eleitor
Que a cada 4 anos,
Não vai esquecer o valor do seu voto.
Me promete médico,
Que quando você precisar,
Não vai se achar imortal.
Me promete professora,
Que quando você ensinar,
Não vai se preocupar se não te acham a melhor.
Me promete escritor,
Que você vai se esconder através das palavras,
Mas que você não vai reter absolutamente tudo.
Me promete vivo,
Que quando alguém te diminuir e te achar pior,
Você não vai esquecer dos conselhos: a perfeição não te torna maior.


Pot favor

Por favor
Abre os olhos
Não fecha não
Já chega de aguentar essa bagunça
Toda a dor no coração
Ninguém sente saudade sua?
Te abandonaram, quem você achou que sempre estaria "na tua"?
Deixa disso
Quem te fez, não te criou pra isso
Seja descansada pelo amor que te ama,
Pelos bracos que te envolvem
Pelo lenço que seca suas lágrimas.
Deixa sim, abandona esse cansaço e descansa.
Por que sofrer na vida,
Se isso só te aumenta o peso, na consciência, não na balança.
A caminhada ta difícil, caminha com alguém. Com O alguém que vai te fazer companhia. Se cuida, vê se para com a mania, de achar que você merecer sentir falta de amor.
Se ame, deixe ser amada e siga a vida, junto de quem a formou e por quem foi criada.

De dia

De dia escrevia poesia
E em cada noite fria
Se descobria da realidade.

Era uma rotina corrida,
Cada passo, cada esquina,
Sem tempo pra pensar no amanhã.

Sol, chuva
Casa, apartamento
Nada passava de um pensamento que já ia passar.

Era no carro,
Voava um momento e a tentativa fracassada,
Que dizia que não podia falhar.

Chorava só por dentro
Por uma tristeza que só vinha avacalhar
Sem motivo algum
Começava a se inventar.

Tempo que passava não voltava
Tempestade que rugia não fugia
Ventos que levavam o impedimento
Eram os que traziam o errar.

Mas então resolveu mudar
Respirar bem fundo e repensar
Mudou o rumo, e a agenda,
Agora já conseguia caminhar.

Não era mais tão corrida,
Pois o que valia a pena rastejava para não querer passar.

Chapéu, luva
Sombrinha, Guarda chuva
Não mais passava despercebido,
Sem que tudo fosse bem agradecido.

Os bom dias viraram rotina,
Os bem vindos, cortesia
E com isso a garantia de um futuro sem se preocupar.

De dia escrevia poesia
E em cada noite fria
Se descobria da realidade.



domingo, 29 de julho de 2018

Era uma vez eu

Era uma vez Eu.
De Genesis a Apocalipse, não encontrava um lugar meu.
Ninguém pecava tanto,
Porém, todavia, entretanto,
Achei um tal nome,
Que quando todos estavam com fome,
Pães e peixes multiplicou,
E por causa de Seu Pai, que tanto me amou, desceu do céu e se entregou.

Comecei a ficar curiosa,
Não que seja a mais estudiosa,
Mas descobri que Jesus,
 Leão de Judá  e da escuridão do mundo, a Luz,
Me perdoou de tudo,
Deixando então meu coração não ficar mais mudo.

Debruçada me estiquei,
Me senti realmente a filha de um Rei.
Princesa por adoção,
Era amor que jorrava, pura emoção.
Quis deitar no Seu peito
Me envolver de qualquer jeito.
De forma alguma anteriormente pensei,
Que ganharia a eterna vida,
E um dia iria vencer.

O tempo passou, a distância quase não existia, Ele só se aproximou.
E agora, a cada respirar, sinto um fôlego de vida em cada vertebra, artéria e molécula, que me inspira a prosseguir e mais almas para o céu ganhar.
E você, se ainda não se entregou, não aproveitou, ou se de alguma forma pensou que não é pra você todo esse amor, pare com isso, pois o Salvador morreu e Ressuscitou, pra um dia sentir a alegria, de ver o seu rosto quando as portas se abrirem e a Eternidade chegar.
Obrigada por me ouvirem, lembre-se, Jesus logo há de voltar.


sábado, 10 de março de 2018

Para meus próprios e belos girassóis

Para meus próprios e belos girassóis...
Dedico essa fração de meu tempo,
Para escrever-lhes a respeito de minha viagem a Grécia.
Não suporto mais esse cheiro de rosas vermelhas.
Que bom que ainda guardei a sua essência toda em um frasco, para não abrir mais.
Há dias que não vejo mais chuvas, que nos importunavam quando estava aí.
Pelo menos, gostariam de morar aqui.
A brisa também é suave, leve, toca com delicadeza as janelas e cortinas, movimentando como uma balança em um parque infantil.
Já quase cansei desse maravilhoso cheiro de pão que meus vizinhos fazem, que é sempre uma delícia.
Não consigo deixar de lado a falta de buracos nas avenidas e a ausência de poluição no ar.
Seria ótimo que estivessem aqui, para verem o céu, cada vez mais perto de mim, quando olho para cima.
Sinto saudade de quando eu saía para fora de casa, almejando colocar mais um pouco de amor ou depositar alguns ramos próximo de onde estavam.
Ainda amo vocês.
Prometo nunca esquecer vocês.
Meus próprios e belos girassóis.








quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A casa

Certo dia cheguei em casa e olhei ao redor. Estava tudo muito organizado, do jeito que eu havia visto pela última vez. A porta, branquinha, estava com cor de neve de filme e as janelas que eram azuis, agora passariam tranquilamente por um legitimo fundo do mar. A mesa do centro estava desbotada e lembrava algumas árvores mágicas que vi em livros. Os sofás em formatos de molas antigas e prateadas, uniam o retrô ao moderno. A mesa da cozinha era toda esculpida em madeira e os bancos vermelhos substituiam as cadeiras. Os eletrodomésticos se limitavam a um fogão e uma geladeira. As escadas retas e largas levavam ao salão onde milhares de pessoas haveriam um dia dançado com um relógio que deveria estar estragado, pois marcava a meia noite, e ao invés do número doze, só se via um sapatinho de cristal. Na parte superior do sobrado, as camas traziam um ar de "a princesa e a ervilha" pela quantidade de colchões uns em cima do outros, todos coloridos e aconchegantes. Os armários dos três quartos pareciam túneis que levariam à uma mesa com frascos que dissessem beba-me ou algo parecido. Os banheiros saiam de nuvens artificiais e tinham alguma ligação à pés de feijão gigantes e ouro em formatos ovais. A dispensa era um closet recheado de pós com aparência interessante, livros antigos e bem cuidados e algumas plantas. Atrás das plantas, uma porta dava o tom de mistério de um boa história e levava a um tapete que parecia estar voando em todas as direções, em uma garagem iluminada pelas delicadas telhas de vidro, que permitiam observar a noite estrelada sem pressa.
Também, do lado direito da garagem, vi uma floresta, quero dizer, uma sala de estar com papel de parede de árvores e uma menina que carregava uma cestinha de doces em que estava escrito: vovózinha. Olhei para cima e avistei a porta de saída para o jardim. Estranhei estar no teto, se não havia descido, mas como nem tinha tido tempo de prestar atenção subi e vi três miniaturas de casinha: uma de palha outra de madeira e outra de tijolos. Então percebi que um ventilador em forma de um, um, acho que um lobo, se aproximou e derrubou as duas primeiras casas. Me entreti tanto que nem percebi a minha irmã chegando do trabalho e me abraçando. Depois de me cumprimentrar perguntou o que eu fazia abaixada na frente do nosso ventiladorzinho com os livros de contos de fadas todos empilhados.

Caminhão De Mudanças

Nasci lá,
me acostumei com o clima,
fiz amizade...
Até que um dia chegou o caminhão de mudanças,
o caminhão da saudade.

Me mudei para cá,
já conheço o clima,
fiz alguns amigos...
Mas uma coisa a que não me acostumo,
É a saudade
da minha outra cidade.

Caminhei com as mudanças,
Agora já me acostumei aqui,
Fiz amizades verdadeiras.
Mas a coisa qual eu não me acostumava, e agora já entendi,
É a saudade da outra cidade, que não é minha, mas nas lembranças ainda está lá.