quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A casa

Certo dia cheguei em casa e olhei ao redor. Estava tudo muito organizado, do jeito que eu havia visto pela última vez. A porta, branquinha, estava com cor de neve de filme e as janelas que eram azuis, agora passariam tranquilamente por um legitimo fundo do mar. A mesa do centro estava desbotada e lembrava algumas árvores mágicas que vi em livros. Os sofás em formatos de molas antigas e prateadas, uniam o retrô ao moderno. A mesa da cozinha era toda esculpida em madeira e os bancos vermelhos substituiam as cadeiras. Os eletrodomésticos se limitavam a um fogão e uma geladeira. As escadas retas e largas levavam ao salão onde milhares de pessoas haveriam um dia dançado com um relógio que deveria estar estragado, pois marcava a meia noite, e ao invés do número doze, só se via um sapatinho de cristal. Na parte superior do sobrado, as camas traziam um ar de "a princesa e a ervilha" pela quantidade de colchões uns em cima do outros, todos coloridos e aconchegantes. Os armários dos três quartos pareciam túneis que levariam à uma mesa com frascos que dissessem beba-me ou algo parecido. Os banheiros saiam de nuvens artificiais e tinham alguma ligação à pés de feijão gigantes e ouro em formatos ovais. A dispensa era um closet recheado de pós com aparência interessante, livros antigos e bem cuidados e algumas plantas. Atrás das plantas, uma porta dava o tom de mistério de um boa história e levava a um tapete que parecia estar voando em todas as direções, em uma garagem iluminada pelas delicadas telhas de vidro, que permitiam observar a noite estrelada sem pressa.
Também, do lado direito da garagem, vi uma floresta, quero dizer, uma sala de estar com papel de parede de árvores e uma menina que carregava uma cestinha de doces em que estava escrito: vovózinha. Olhei para cima e avistei a porta de saída para o jardim. Estranhei estar no teto, se não havia descido, mas como nem tinha tido tempo de prestar atenção subi e vi três miniaturas de casinha: uma de palha outra de madeira e outra de tijolos. Então percebi que um ventilador em forma de um, um, acho que um lobo, se aproximou e derrubou as duas primeiras casas. Me entreti tanto que nem percebi a minha irmã chegando do trabalho e me abraçando. Depois de me cumprimentrar perguntou o que eu fazia abaixada na frente do nosso ventiladorzinho com os livros de contos de fadas todos empilhados.

Caminhão De Mudanças

Nasci lá,
me acostumei com o clima,
fiz amizade...
Até que um dia chegou o caminhão de mudanças,
o caminhão da saudade.

Me mudei para cá,
já conheço o clima,
fiz alguns amigos...
Mas uma coisa a que não me acostumo,
É a saudade
da minha outra cidade.

Caminhei com as mudanças,
Agora já me acostumei aqui,
Fiz amizades verdadeiras.
Mas a coisa qual eu não me acostumava, e agora já entendi,
É a saudade da outra cidade, que não é minha, mas nas lembranças ainda está lá.