terça-feira, 29 de agosto de 2017

Ela

Ela ria, ria sempre e todo o dia.
Por fora era só alegria, e por dentro tinha magia. Não daquelas estranhas, cheias de entranhas, mas sim, sendo somente ela, com todas as suas manhas. Não era só porque nada ia bem, mas também pois sabe o valor que ela tem. Por isso e muito mais, sorria, sem mimos, apenas uma balança reformada de ferro maciço, segura, que combinava com a personalidade dela.
Não era doce nem vela. Pois não tornava tudo fácil nem brilhava com uma cor de janela. A não ser os cabelos. Estes sim chamavam a atenção até de princesas, porque nem os fios de ouro se comparavam a chapinha bem feita que não tinha receita.
Não era só porque era menina que não tinha raciocínio, inclusive até jogava xadrez com destreza, e no vôlei de quadra, mantinha as mãos com firmeza. Ela não tinham olhos azuis, ou como de esmeralda encontrada ao por do sol. Nem mãos suaves como a  água dos lagos. Também não tinha salto alto. No máximo uma rasteirinha simples que ajudava no físico dela. Se bem que de nada era necessário, nem mesmo o maravilhoso vestido que não era curto para se exibir, mas longo, de deixar o queixo cair.
Ela sabia que esperta, mas não muito no fundo dela, tinha um receio de perder aquela fivela que mostrava o desempenho exterior, aquele que o mundo todo via.
As vezes sentava no fundo da casa, e fingia ter criado uma asa, que valia por duas, e a levaria para um lugar de pessoas como ela: sorridentes com a simplicidade ardente. Naquele chão, que no momento até parecia macio, lembrou que o vento trazia histórias, e foi conversar com ele. Era a primeira vez que ela fazia isso. Talvez não era por falta de companhia, mas sim falta de uma boca sem forma, que trazia contos e daquela vez, uma belíssima história.
Ouviu tudo, caindo em uma felicidade diferente, como que se mais envolvente, numa temperatura quente.
A mesma história o vento contou por um ano inteiro, de Janeiro a Janeiro, sem sequer apurar o roteiro.
Ela ouvia cada vez mais calma, não que o esquecimento já tivesse a assolado, mas como que se quisesse ouvir pontos de vistas diferentes, o conto do outro lado. Respirava fundo e nunca trouxe almofadas ou tapetes, pois o chão se amaciava sempre que o vento se aproximava. Ela continuava a vida: sorria. Cantava. Mas sem esquecer de ouvir, pois isso também a formava.
A história que o vento conta? Ninguém sabe qual é. Pois o que importava era a sensação, sem querer qualquer coisa em troca, apenas vivendo e ouvindo. Sentindo e amando.
Amava sim. Naquela idade e já amava. Amava os corações puros, as flores românticas, os grilos que faziam serenatas. Não era um amor qualquer, que se vende, e todos vêem na mulher. Mas sim um amor duro, que iluminava o escuro da rua que todos moram. Não existiam abismos, só pedras e outro caminhos. Caminhos que se tornavam escolhas, que as vezes causavam algumas bolhas. Que cicatrizavam e tornavam-na mais madura, mais cheia de força, com mais foco para os seus objetivos. Quantas vezes ela ouviu, seguiu conselhos, alguns até que foram maus, causaram calos inclusive nos joelhos. Não era ela de se importar com o que não lhe dizia respeito, mas sim sobre o que amava e sentia certa dor no peito. As vezes ela olhava para as árvores e desejava ter a mesma constância, abundância de paz, pois as árvores vão para onde o vento as leva, mas nunca saem do lugar. Algumas amizades foram tóxicas para ela, e o amor ainda sim continuava fluindo. Mas realmente algumas pessoas não querem o amor. Não querem aceitar os outros como são. E as vezes é inevitável a discussão. Ela olhava para o céu e queria ser mais assim.
Tinha sim nuvens fofas, mas queria mais dias de sol, e que quando a tempestade viesse, ela pudesse avisar os que ela gostava, para pegarem os guarda-chuvas e se protegerem... Dos pingos grossos e doloridos que causam danos a terra que já está encharcada de outras inundações. Ela tinha muito amor, muito mesmo. Mas convivia bem com um pouco de dor. Achava até que lhe fazia ficar mais emotiva, podendo aprender e ter uma vida mais significativa.
Significativa. Essa era uma palavra que a tornava feliz. Não fazia mal dar outros elogios, mas era dizer que ela ajudou, colaborou ou teve significado, que a menina se tornava uma garota mais alegre do que ela até hoje se imagina. Na verdade, não precisava ser chamada assim, só bastava um simples chacoalhar de cabeça, um olhar de agradecimento, que ela virava uma lamparina, que quando aquecida junto com o óleo, se torna útil.
Ao olhar para portas lembrava que ela pode ser assim também: abre para o que não lhe serve e para aquilo que ama, fecha, mas sem vadear, pois todos tem a escolha de sair ou de permanecer. Agradecida a tudo ela era, sem importar se estava atrapalhando, ela entrava no coração das suas amigas, podendo então perceber pela quantidade de esmalte, se a colega estava triste ou simplesmente tranquila.

  1. Esta menina é serena, e mesmo quando ainda pequena, descobriu a sorrir, até hoje sabe como em qualquer situação agir.










domingo, 27 de agosto de 2017

Bom dia

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Problemas...

Problemas, dilemas... Poemas.
   Frustrações, paixões... Canções
Tristeza, frieza... Riqueza
   Felicidade, idade... Bondade
Pobreza, escureza... Beleza
   Poemas, Canções... Riqueza
Riqueza , Bondade... Beleza
Tudo que não se assume, se resume

.

Não tem como saber,
E hoje não basta só o escrever.
Nem consigo dizer,
O que fala por mim é o querer.

O querer uma vida calma.

Não tem como não viver,
E hoje não basta só o fazer.
Nem consigo ler,
O que fala por mim é o aprender.

O aprender a ser paciente.

Não tem como não ver,
E hoje não basta só o chover.
Nem consigo me deter,
O que fala por mim é o crer.

O crer que tudo dará certo, pois confiamos naquEle que tudo pode fazer.

Brasil

Sociedade ladra.
Escola sem quadra.
Hospital sem maca.
Raio-x sem placa.
Político mentiroso.
Homicídio culposo.
Má educação.
Pessoas sem alimentação.
É nessa situação,
Que vivemos em indignação.

Eu

Eu não quero que seja mais um dia.
Não desejo ver tudo novamente.
Não consigo andar pelo mesmo caminho.
Não posso mais me calar.
Eu quero que seja mais uma oportunidade.
Desejo observar tudo de novo
Consigo passar pelo mesmo caminho, para chegar ao fim.
Posso continuar entendendo e me mantendo anônima na sociedade, assim como um poeta que não sabe quem é, apenas quem pode ser.

Já desejei

Já desejei ser o que não sou,
Mas só posso ser o que sei.
E se eu não for o que esperam,
Estarei sendo eu.
Mas, se eu fugir de mim por tanta pressão, não existirá mais ninguém no meu interior.
E sem nada dentro de mim, não há objetivos para lutar, então prefiro ser o que não sou.

Olhos Dourados

Escondida pelas cortinas de palha,
Olhos dourados e sorriso tímido.
Não era possível esquecer ou muito menos se confundir.
Quando olhava para mim, eu me submergia à outra dimensão, lugar onde ninguém jamais esteve.
Doce por dentro e linda por fora.
Assim era Laura Cresut, aquela menina apaixonante que conheci no terceiro ano do colégio.
A sua personalidade, como já descrevi, era de inúmeras qualidades, e sua fé em algo que não se pode ver, a deixava ainda mais bondosa.
Quando cheguei à escola onde estudaria por mais 4 anos, sentei na ultima carteira da segunda fila, para que ninguém notasse minha existência. Mas, uma menina aparentemente quieta se aproximou com a intenção de me conhecer:
-Olá menino, eu sou a Laura e você? Você tem cara de Túlio. Não importa, agora você vai se chamar Túlio.
Eu ri, mas ao mesmo tempo fiquei pensando se todos iriam me receber com tanta alegria assim como Laura fizera.
- Legal te ver Laura, bom, como você disse agora, sou o Túlio, e me desculpe a ignorância, que aula temos hoje?
Foi ali mesmo que achei ter assustado a menina: ela saiu correndo em direção ao seu lugar, pegou a mochila e... Sentou-se na carteira vazia ao meu lado! Logo em seguida me passou todas as aulas da semana, e disse que estava muito feliz em ter-me como amigo.
Passada uma semana, eu já sabia o nome de quase todos da sala, pois Laura fazia questão de falar a todos:
- Oi, esse aqui é o Túlio, meu amigo.
Assim eu começava uma conversa com cada um da minha sala.
Nos recreios, eu ficava praticamente só com o Flet, na verdade seu nome era Joaquim, mas para ficar mais único, queria que só o chamassem de Flet. Ele se dava bem comigo e me tratava como irmão e tantas foram as aventuras que  vivemos juntos no colégio... Mas isso é outra história. Voltando o foco para minha amiga Laura, ela passava os intervalos com a sua amiga Luma, que usava óculos e tinha sardas no rosto.
Passaram se dias, semanas, meses, até que o 4° ano chegou. Foi um ano muitíssimo agitado para a família da Laurinha, pois sua irmã havia se desviado da Igreja que eles pertenciam, e a minha amiga afirmava que isso traria só sofrimento para todos. Eu não sabia o que fazer para ajuda-la pois não conhecia as suas crenças, mas comecei a ser mais gentil com ela, tentando ouvir tudo o que ela tinha para dizer. No segundo semestre do quarto ano, a irmã de Laura Cresut teve problemas psicológicos, tendo que se tratar e tomando altas doses de remédios. Na última semana de aulas, percebi o sorriso no rosto da que me chamava de Túlio, ao chegar dizendo:
-Ela voltou! Está seguindo Jesus, voltou para a igreja!
Eu fiquei realmente aliviado, mesmo não sabendo quem era o tal Jesus, mas sabia que isso significava uma trégua no sofrimento dos Cresut.
 As férias foram longas para mim, pois fiquei com a pergunta "Quem é Jesus?" em minha cabeça, e não tinha coragem de perguntar ao meu pai, pois ele era muito bravo, e só gostava do meu irmão mais velho, pois "ele orgulhava a família" e eu, por ser pequeno, não tinha nenhuma importancia para meu ele, mas minha mãe me amava e era querida comigo, porém acho que não conseguiria responder minha pergunta.
Cheguei na segunda feira (era dia 21 de Janeiro, me lembro bem), me aproximei de Laura e perguntei quem era o tal Jesus. Ela riu e prometeu me contar no recreio, e quando este chegou, ela disse:
- Vamos começar pelo seguinte Tulinho, quem criou a Terra?
Eu permaneci em silêncio por uns instantes e respondi que fora uma explosão que causara o mundo.
- Negativo. Quem criou a Terra foi um ser sobrenatural. Já pensou, por exemplo, quem seria tão magnífico em criar milhões de células, ossos, músculos e órgãos, assim como aprendemos ano passado?
Respondi que só alguém muito esperto para criar tudo, realmente.
- Então! O ser sobrenatural é Deus, quem criou tudo que existe, e não precisou ser criado.
Fiquei extremamente confuso, sem saber o que pensar, mas ela continuou:
- Deus criou a Terra toda, e viu que faltava alguma coisa, e então criou  o homem, e da sua costela, veio a mulher. Deus era muito próximo dos humanos, e deixava eles Aproveitarem tudo o que desejassem do mundo, só não poderiam usar do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Pensei: "Ótimo, eles viveram felizes para sempre e fim", mas como se adivinhas se meu pensamento continuou:
- O mínimo detalhe é que eles desobedeceram o criador. Eva, a esposa do primeiro homem vivente, ouviu uma serpente, que sendo usada pelo maligno, disse que Deus só não queria que comessem daquele fruto pois ficariam iguais ao Senhor. Eva comeu do fruto e ainda deu para seu esposo. A partir daí começaram os problemas: eles foram expulsos do tal Jardim do Éden, e a cada década, o pecado tomava mais e mais conta do mundo. Deus, percebendo que não havia outra saída, enviou seu único filho para morrer numa cruz, o que ocasionaria o perdão de todos aqueles que pegassem e se arrependessem, mostrando o quão pecadores...
O sinal tocou: ela saiu correndo, me deixando na curiosidade.
No dia seguinte, aguardei ansioso para ouvir mais daquele ser sobrenatural.
Quanto mais eu aprendia mais percebia quanto eu errava na minha vida.
O sexto ano logo chegou, e foi quando começamos a estudar sobre as teorias criacionistas e evolucionistas. Laura, aquela bela menina que continuava sendo minha melhor amiga, debatia o assunto, dando com o auxilio de teses, mais confusão na sala. Eu, que já tinha começado a ler a bíblia que Laurinha me deu, ajudei nas suas perguntas e questionamentos, interrogando o por que o criacionismo era considerado incorreto na escola. Foi um ano feliz e agitado, pois agora havíamos, sem querer, chamado a fúria da professora de ciências, que era a favor do evolucionismo, para nós.
As férias do começo do sétimo ano foram as mais tristes, pois eu sabia que poderia mudar de cidade a qualquer momento, mas prometi que não contaria para Lala, que agora estava mais bonita em suas fotos.
Ano triste para mim, e alegre para a turma, que sabia que no fim do ano iria para um passeio maravilhoso. No dia anterior ao evento eu peguei o número de celular da Laura, e ela o meu, mesmo sem entender a minha apreensão. Dei um abraço apertado nela, sem me importar com os cochichos, apenas esperando que um dia a reencontrasse.
Sai da escola.
Os anos foram passando, mas eu nunca esqueci o rosto formoso de Laura Cresut. Eu me tornei missionário, e fui enviado para a Ásia. Cheguei ontem a noite, e vim junto com meu amigo Flet, que também havia se tornado pastor.
Cheguei em uma igrejinha que ficava dentro de uma cidade grande e muito importante do continente. Entramos, cumprimentam os asiáticos e eles indicaram a casa da pastora, que não tinha marido e morava com sua mãe. Quando vi, lá ao longe:
Escondida pelas cortinas de palha,
Olhos dourados e sorriso tímido.
Não era possível esquecer ou muito menos se confundir.
Quando olhava para mim, eu me submergia à outra dimensão, lugar onde ninguém jamais esteve.
Doce por dentro e linda por fora.

Como já deve imaginar, me apaixonei e logo, tornei me esposo daquela que um dia já fui discípulo.




Cordel - A dracma perdida

Vou contar uma história
Bem bonita e interessante.
Que me veio na memória,
E não é nada entediante.

Ela conta que uma mulher
Nada boba, de belo semblante.
No seu casamento,
Ganhou 10 dracmas e ficou toda cantante.

Uma certa vez,
Estava a limpar a casa,
Quando uma de suas dracmas sumiu,
Como se houvesse criado asa.

Desesperada ela ficou.
Abismada demais.
Pela casa revirou,
Mas nada da moeda ser achada.

Arredou sofá e sua marmita.
Armário e guarda-roupas.
E nada de achar a bendita
Que não sabia, e estava escondida, "de boas".

A moça parou e pensou:
"Nesse chão liso,
A minha dracma escorregou"
Embaixo da mesa viu algo brilhante
E era ela: a-encontrou.

Chamou todas as vizinhas,
Deu uma grande festa.
Pôs a dracma de volta na tiara
E colocou então, para não mais perder, em sua testa!