sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pessoas felizes

Pessoas felizes.
Felizes, que se alegram com as tristezas alheias.
Felizes, que fazem o que for preciso para conseguir dinheiro e cada dia mais riquezas.
Felizes, que não admitem suas falhas
Felizes, aquelas que qualquer erro do outro aponta o dedo e diz o que pensa sem se importar com os sentimentos.
Felizes, que esbanjam uma falsa alegria por fora enquanto a tristeza inunda como um mar sem limites que só segue o vento.
Felizes, que sorriem e mostram o que tem, mas que com isso não acrescentam nada ao seu real valor
Felizes, que correm em busca de mais amizades que não duram nada.
Felizes, que respiram mas não estão realmente vivendo.
Felizes, não. Não são felizes,
Tentam ser auto suficientes.
Pessoas infelizes.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Mayra Santos

Não tenho nem o que falar.
A bondade e doçura já percebo em seu olhar
É querida demais, é pura no seu amar.

Não tenho nem o que dizer,
Percebo felicidade em seu ser.
Tem um ótimo jeito de a vida ver,
Além disso pode o lado bom e engraçado de tudo perceber.

Não tenho nem como não sorrir,
Ao ver seu jeito de "briguinhas" impedir.
A você desejo tudo de bom
E que nunca esqueça que quando precisar, vou ainda existir.

Com muito amor,
Mayra, minha Teacher do Ccbeu por 2 anos e espero por 10 tbm❤

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Ela

Ela ria, ria sempre e todo o dia.
Por fora era só alegria, e por dentro tinha magia. Não daquelas estranhas, cheias de entranhas, mas sim, sendo somente ela, com todas as suas manhas. Não era só porque nada ia bem, mas também pois sabe o valor que ela tem. Por isso e muito mais, sorria, sem mimos, apenas uma balança reformada de ferro maciço, segura, que combinava com a personalidade dela.
Não era doce nem vela. Pois não tornava tudo fácil nem brilhava com uma cor de janela. A não ser os cabelos. Estes sim chamavam a atenção até de princesas, porque nem os fios de ouro se comparavam a chapinha bem feita que não tinha receita.
Não era só porque era menina que não tinha raciocínio, inclusive até jogava xadrez com destreza, e no vôlei de quadra, mantinha as mãos com firmeza. Ela não tinham olhos azuis, ou como de esmeralda encontrada ao por do sol. Nem mãos suaves como a  água dos lagos. Também não tinha salto alto. No máximo uma rasteirinha simples que ajudava no físico dela. Se bem que de nada era necessário, nem mesmo o maravilhoso vestido que não era curto para se exibir, mas longo, de deixar o queixo cair.
Ela sabia que esperta, mas não muito no fundo dela, tinha um receio de perder aquela fivela que mostrava o desempenho exterior, aquele que o mundo todo via.
As vezes sentava no fundo da casa, e fingia ter criado uma asa, que valia por duas, e a levaria para um lugar de pessoas como ela: sorridentes com a simplicidade ardente. Naquele chão, que no momento até parecia macio, lembrou que o vento trazia histórias, e foi conversar com ele. Era a primeira vez que ela fazia isso. Talvez não era por falta de companhia, mas sim falta de uma boca sem forma, que trazia contos e daquela vez, uma belíssima história.
Ouviu tudo, caindo em uma felicidade diferente, como que se mais envolvente, numa temperatura quente.
A mesma história o vento contou por um ano inteiro, de Janeiro a Janeiro, sem sequer apurar o roteiro.
Ela ouvia cada vez mais calma, não que o esquecimento já tivesse a assolado, mas como que se quisesse ouvir pontos de vistas diferentes, o conto do outro lado. Respirava fundo e nunca trouxe almofadas ou tapetes, pois o chão se amaciava sempre que o vento se aproximava. Ela continuava a vida: sorria. Cantava. Mas sem esquecer de ouvir, pois isso também a formava.
A história que o vento conta? Ninguém sabe qual é. Pois o que importava era a sensação, sem querer qualquer coisa em troca, apenas vivendo e ouvindo. Sentindo e amando.
Amava sim. Naquela idade e já amava. Amava os corações puros, as flores românticas, os grilos que faziam serenatas. Não era um amor qualquer, que se vende, e todos vêem na mulher. Mas sim um amor duro, que iluminava o escuro da rua que todos moram. Não existiam abismos, só pedras e outro caminhos. Caminhos que se tornavam escolhas, que as vezes causavam algumas bolhas. Que cicatrizavam e tornavam-na mais madura, mais cheia de força, com mais foco para os seus objetivos. Quantas vezes ela ouviu, seguiu conselhos, alguns até que foram maus, causaram calos inclusive nos joelhos. Não era ela de se importar com o que não lhe dizia respeito, mas sim sobre o que amava e sentia certa dor no peito. As vezes ela olhava para as árvores e desejava ter a mesma constância, abundância de paz, pois as árvores vão para onde o vento as leva, mas nunca saem do lugar. Algumas amizades foram tóxicas para ela, e o amor ainda sim continuava fluindo. Mas realmente algumas pessoas não querem o amor. Não querem aceitar os outros como são. E as vezes é inevitável a discussão. Ela olhava para o céu e queria ser mais assim.
Tinha sim nuvens fofas, mas queria mais dias de sol, e que quando a tempestade viesse, ela pudesse avisar os que ela gostava, para pegarem os guarda-chuvas e se protegerem... Dos pingos grossos e doloridos que causam danos a terra que já está encharcada de outras inundações. Ela tinha muito amor, muito mesmo. Mas convivia bem com um pouco de dor. Achava até que lhe fazia ficar mais emotiva, podendo aprender e ter uma vida mais significativa.
Significativa. Essa era uma palavra que a tornava feliz. Não fazia mal dar outros elogios, mas era dizer que ela ajudou, colaborou ou teve significado, que a menina se tornava uma garota mais alegre do que ela até hoje se imagina. Na verdade, não precisava ser chamada assim, só bastava um simples chacoalhar de cabeça, um olhar de agradecimento, que ela virava uma lamparina, que quando aquecida junto com o óleo, se torna útil.
Ao olhar para portas lembrava que ela pode ser assim também: abre para o que não lhe serve e para aquilo que ama, fecha, mas sem vadear, pois todos tem a escolha de sair ou de permanecer. Agradecida a tudo ela era, sem importar se estava atrapalhando, ela entrava no coração das suas amigas, podendo então perceber pela quantidade de esmalte, se a colega estava triste ou simplesmente tranquila.

  1. Esta menina é serena, e mesmo quando ainda pequena, descobriu a sorrir, até hoje sabe como em qualquer situação agir.










domingo, 27 de agosto de 2017

Bom dia

Clique aqui e veja o link

Problemas...

Problemas, dilemas... Poemas.
   Frustrações, paixões... Canções
Tristeza, frieza... Riqueza
   Felicidade, idade... Bondade
Pobreza, escureza... Beleza
   Poemas, Canções... Riqueza
Riqueza , Bondade... Beleza
Tudo que não se assume, se resume

.

Não tem como saber,
E hoje não basta só o escrever.
Nem consigo dizer,
O que fala por mim é o querer.

O querer uma vida calma.

Não tem como não viver,
E hoje não basta só o fazer.
Nem consigo ler,
O que fala por mim é o aprender.

O aprender a ser paciente.

Não tem como não ver,
E hoje não basta só o chover.
Nem consigo me deter,
O que fala por mim é o crer.

O crer que tudo dará certo, pois confiamos naquEle que tudo pode fazer.

Brasil

Sociedade ladra.
Escola sem quadra.
Hospital sem maca.
Raio-x sem placa.
Político mentiroso.
Homicídio culposo.
Má educação.
Pessoas sem alimentação.
É nessa situação,
Que vivemos em indignação.

Eu

Eu não quero que seja mais um dia.
Não desejo ver tudo novamente.
Não consigo andar pelo mesmo caminho.
Não posso mais me calar.
Eu quero que seja mais uma oportunidade.
Desejo observar tudo de novo
Consigo passar pelo mesmo caminho, para chegar ao fim.
Posso continuar entendendo e me mantendo anônima na sociedade, assim como um poeta que não sabe quem é, apenas quem pode ser.

Já desejei

Já desejei ser o que não sou,
Mas só posso ser o que sei.
E se eu não for o que esperam,
Estarei sendo eu.
Mas, se eu fugir de mim por tanta pressão, não existirá mais ninguém no meu interior.
E sem nada dentro de mim, não há objetivos para lutar, então prefiro ser o que não sou.

Olhos Dourados

Escondida pelas cortinas de palha,
Olhos dourados e sorriso tímido.
Não era possível esquecer ou muito menos se confundir.
Quando olhava para mim, eu me submergia à outra dimensão, lugar onde ninguém jamais esteve.
Doce por dentro e linda por fora.
Assim era Laura Cresut, aquela menina apaixonante que conheci no terceiro ano do colégio.
A sua personalidade, como já descrevi, era de inúmeras qualidades, e sua fé em algo que não se pode ver, a deixava ainda mais bondosa.
Quando cheguei à escola onde estudaria por mais 4 anos, sentei na ultima carteira da segunda fila, para que ninguém notasse minha existência. Mas, uma menina aparentemente quieta se aproximou com a intenção de me conhecer:
-Olá menino, eu sou a Laura e você? Você tem cara de Túlio. Não importa, agora você vai se chamar Túlio.
Eu ri, mas ao mesmo tempo fiquei pensando se todos iriam me receber com tanta alegria assim como Laura fizera.
- Legal te ver Laura, bom, como você disse agora, sou o Túlio, e me desculpe a ignorância, que aula temos hoje?
Foi ali mesmo que achei ter assustado a menina: ela saiu correndo em direção ao seu lugar, pegou a mochila e... Sentou-se na carteira vazia ao meu lado! Logo em seguida me passou todas as aulas da semana, e disse que estava muito feliz em ter-me como amigo.
Passada uma semana, eu já sabia o nome de quase todos da sala, pois Laura fazia questão de falar a todos:
- Oi, esse aqui é o Túlio, meu amigo.
Assim eu começava uma conversa com cada um da minha sala.
Nos recreios, eu ficava praticamente só com o Flet, na verdade seu nome era Joaquim, mas para ficar mais único, queria que só o chamassem de Flet. Ele se dava bem comigo e me tratava como irmão e tantas foram as aventuras que  vivemos juntos no colégio... Mas isso é outra história. Voltando o foco para minha amiga Laura, ela passava os intervalos com a sua amiga Luma, que usava óculos e tinha sardas no rosto.
Passaram se dias, semanas, meses, até que o 4° ano chegou. Foi um ano muitíssimo agitado para a família da Laurinha, pois sua irmã havia se desviado da Igreja que eles pertenciam, e a minha amiga afirmava que isso traria só sofrimento para todos. Eu não sabia o que fazer para ajuda-la pois não conhecia as suas crenças, mas comecei a ser mais gentil com ela, tentando ouvir tudo o que ela tinha para dizer. No segundo semestre do quarto ano, a irmã de Laura Cresut teve problemas psicológicos, tendo que se tratar e tomando altas doses de remédios. Na última semana de aulas, percebi o sorriso no rosto da que me chamava de Túlio, ao chegar dizendo:
-Ela voltou! Está seguindo Jesus, voltou para a igreja!
Eu fiquei realmente aliviado, mesmo não sabendo quem era o tal Jesus, mas sabia que isso significava uma trégua no sofrimento dos Cresut.
 As férias foram longas para mim, pois fiquei com a pergunta "Quem é Jesus?" em minha cabeça, e não tinha coragem de perguntar ao meu pai, pois ele era muito bravo, e só gostava do meu irmão mais velho, pois "ele orgulhava a família" e eu, por ser pequeno, não tinha nenhuma importancia para meu ele, mas minha mãe me amava e era querida comigo, porém acho que não conseguiria responder minha pergunta.
Cheguei na segunda feira (era dia 21 de Janeiro, me lembro bem), me aproximei de Laura e perguntei quem era o tal Jesus. Ela riu e prometeu me contar no recreio, e quando este chegou, ela disse:
- Vamos começar pelo seguinte Tulinho, quem criou a Terra?
Eu permaneci em silêncio por uns instantes e respondi que fora uma explosão que causara o mundo.
- Negativo. Quem criou a Terra foi um ser sobrenatural. Já pensou, por exemplo, quem seria tão magnífico em criar milhões de células, ossos, músculos e órgãos, assim como aprendemos ano passado?
Respondi que só alguém muito esperto para criar tudo, realmente.
- Então! O ser sobrenatural é Deus, quem criou tudo que existe, e não precisou ser criado.
Fiquei extremamente confuso, sem saber o que pensar, mas ela continuou:
- Deus criou a Terra toda, e viu que faltava alguma coisa, e então criou  o homem, e da sua costela, veio a mulher. Deus era muito próximo dos humanos, e deixava eles Aproveitarem tudo o que desejassem do mundo, só não poderiam usar do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Pensei: "Ótimo, eles viveram felizes para sempre e fim", mas como se adivinhas se meu pensamento continuou:
- O mínimo detalhe é que eles desobedeceram o criador. Eva, a esposa do primeiro homem vivente, ouviu uma serpente, que sendo usada pelo maligno, disse que Deus só não queria que comessem daquele fruto pois ficariam iguais ao Senhor. Eva comeu do fruto e ainda deu para seu esposo. A partir daí começaram os problemas: eles foram expulsos do tal Jardim do Éden, e a cada década, o pecado tomava mais e mais conta do mundo. Deus, percebendo que não havia outra saída, enviou seu único filho para morrer numa cruz, o que ocasionaria o perdão de todos aqueles que pegassem e se arrependessem, mostrando o quão pecadores...
O sinal tocou: ela saiu correndo, me deixando na curiosidade.
No dia seguinte, aguardei ansioso para ouvir mais daquele ser sobrenatural.
Quanto mais eu aprendia mais percebia quanto eu errava na minha vida.
O sexto ano logo chegou, e foi quando começamos a estudar sobre as teorias criacionistas e evolucionistas. Laura, aquela bela menina que continuava sendo minha melhor amiga, debatia o assunto, dando com o auxilio de teses, mais confusão na sala. Eu, que já tinha começado a ler a bíblia que Laurinha me deu, ajudei nas suas perguntas e questionamentos, interrogando o por que o criacionismo era considerado incorreto na escola. Foi um ano feliz e agitado, pois agora havíamos, sem querer, chamado a fúria da professora de ciências, que era a favor do evolucionismo, para nós.
As férias do começo do sétimo ano foram as mais tristes, pois eu sabia que poderia mudar de cidade a qualquer momento, mas prometi que não contaria para Lala, que agora estava mais bonita em suas fotos.
Ano triste para mim, e alegre para a turma, que sabia que no fim do ano iria para um passeio maravilhoso. No dia anterior ao evento eu peguei o número de celular da Laura, e ela o meu, mesmo sem entender a minha apreensão. Dei um abraço apertado nela, sem me importar com os cochichos, apenas esperando que um dia a reencontrasse.
Sai da escola.
Os anos foram passando, mas eu nunca esqueci o rosto formoso de Laura Cresut. Eu me tornei missionário, e fui enviado para a Ásia. Cheguei ontem a noite, e vim junto com meu amigo Flet, que também havia se tornado pastor.
Cheguei em uma igrejinha que ficava dentro de uma cidade grande e muito importante do continente. Entramos, cumprimentam os asiáticos e eles indicaram a casa da pastora, que não tinha marido e morava com sua mãe. Quando vi, lá ao longe:
Escondida pelas cortinas de palha,
Olhos dourados e sorriso tímido.
Não era possível esquecer ou muito menos se confundir.
Quando olhava para mim, eu me submergia à outra dimensão, lugar onde ninguém jamais esteve.
Doce por dentro e linda por fora.

Como já deve imaginar, me apaixonei e logo, tornei me esposo daquela que um dia já fui discípulo.




Cordel - A dracma perdida

Vou contar uma história
Bem bonita e interessante.
Que me veio na memória,
E não é nada entediante.

Ela conta que uma mulher
Nada boba, de belo semblante.
No seu casamento,
Ganhou 10 dracmas e ficou toda cantante.

Uma certa vez,
Estava a limpar a casa,
Quando uma de suas dracmas sumiu,
Como se houvesse criado asa.

Desesperada ela ficou.
Abismada demais.
Pela casa revirou,
Mas nada da moeda ser achada.

Arredou sofá e sua marmita.
Armário e guarda-roupas.
E nada de achar a bendita
Que não sabia, e estava escondida, "de boas".

A moça parou e pensou:
"Nesse chão liso,
A minha dracma escorregou"
Embaixo da mesa viu algo brilhante
E era ela: a-encontrou.

Chamou todas as vizinhas,
Deu uma grande festa.
Pôs a dracma de volta na tiara
E colocou então, para não mais perder, em sua testa!


terça-feira, 25 de abril de 2017

O vendedor de tempo

Num belo dia, mais especificamente, em um sábado, Alex e seus pais foram num parque de diversão.
 Foram dar uma olhada nas barraquinhas de comida. Entre elas havia a barraca do algodão doce, a da maçã do amor, pipoca e paçoca. Mas algo que chamou a atenção da família foi a barraca que tinha como título:
            O VENDEDOR DE TEMPO.
 Os pais de Alex fizeram comentários do tipo '' é apenas para chamar a atenção" ou ''é marketing do forte", mas Alex, achou interessante e resolveu se aproximar.
 - Oi moço, que legal o título da sua barraquinha. Qual é o seu nome? O que o senhor vende aqui?
 - Olá garoto. Eu sou o Tempório, eu vendo tempo.
 - Como assim "vende tempo''? - disse Alexa, mãe de Alex.
 - Eu tenho uma longa história para contar...Vocês tem pressa?
 - Temos um pouco de pressa.
 - Bom, assim começa a minha história!
''Eu sempre reparei, desde criança, como as pessoas não tinham tempo para nada. Meu tio vivia dizendo: Nossa vida, como o tempo passa. Não da tempo de fazer nada!
 Eu crescia com a mesma reclamação na boca de todo mundo, então comecei a pensar o porque das tantas reclamações. Na primeira semana após a minha entrada no 5º ano, comecei a entender do que todos reclamavam, eu chegava da escola a tarde, tomava um banho, fazia meus deveres e quando ia olhar o relógio: já era hora de dormir, nem brincar mais eu não podia por causa da falta de tempo!
 Então decidi pesquisar no dicionário o que era tempo e ele dizia apenas: uma época, um período. Clima meteorológico, vento, ar.
 Não me adiantou nada, então fui perguntar aos meus pais e eles disseram: Ah, tempo é tempo ué!
 Também não era isso que eu queria, eu queria uma explicação mais lógica. Passaram-se alguns anos e esqueci da minha pergunta. Mas um certo dia, ( no dia que eu ia fazer o vestibular ) eu lembrei daquela pergunta que me intrigava tanto. Eu cheguei na universidade e perguntei ao instrutor o que era tempo. Vocês podem achar que ele me deu uma bronca, ( até eu achei que ia levar uma ) mas em vez disso eu ouvi uma resposta mais explicativa, vamos dizer assim. Ele  me disse algo + ou - assim:
 - O tempo, por exemplo, está dentro dos relógios, dos livros e dos verbos. Ele pode significar poeira e antiguidade ou tecnologia e futuro. Ele também pode significar pressa ou tranquilidade.
 Isso me fez refletir e me trouxe, por alguns minutos, lembranças da minha infância.
 Fiz o vestibular e passei em 3º lugar. Fiquei muito contente e então repensei no que eu ia me formar. Desde a minha infância, eu estava entre médico e advogado, mas hoje, lembrei  da resposta do meu instrutor e cheguei a conclusão que queria ser cientista. Meus pais concordaram e fui fazer a faculdade.
 Me formei e perguntei-me : aonde eu ia trabalhar? Pensei no tempo. O que eu podia fazer para que as pessoas tivessem mais tempo para fazerem o que gostavam?
 Agora já tinha a ideia, pensei no projeto e fui a invenção do meu produto.
 Meu projeto saiu do papel  e foi para o comércio. Mas os patrocinadores faziam piadas do meu produto. Resolvi então, vir para este parque apresentar-lo aos visitantes.
 Vocês são os primeiros que vem para saber da minha história e não julgam o produto antes de conhecê-lo e me conhecer"
 - Vou dar quantos saquinhos de tempo vocês quiserem. Quantos vão querer?
 - Acho que podemos levar uns três sacos - disse o Alexandre, pai de Alex.
 - Tempório, quem são os seus pais? - perguntou Alex.
 - São aqueles ali - disse Tempório apontando para vendedores de uma barraquinha cujo título era:
 OS VENDEDORES DE FELICIDADE !!!!

O tubarão que veio pelo ralo

Numa cidade grande do Brasil, chamada São Paulo, vivia uma família formada por uma garota de 15 anos, muito mal humorada; um pai que gosta de aventuras com a família e, uma mãe que sempre tenta ser compreensiva, mesmo as vezes isso parecendo impossível.
 Os pais da garota pegaram férias no mesmo mês, para poderem aproveitar, e fazerem algo de especial.
 Gabriela, a mal humorada, tinha em mente a visita em alguma biblioteca ou assistir a um show da Katy Perry, que viria para São Paulo dia 20 para estrear o seu novo álbum. Mas a opinião dos pais era bem diferente, pois eles preferiam passar uma temporada no Hotel Floresta na cidade Presidente Prudente, próximo dali.
 Mas tem dois quartos com TV e eu garanto que vamos nos divertir muito, diziam os pais da Gabi tentando convence-la a viajarem para lá. Até que ela cedeu, mas com um mal humor terrivelmente agudo.
 Eles partiram para o Hotel Floresta Sexta-Feira de madrugada.
 Como sempre, a menina foi ouvindo suas músicas com uma cara... Que dava até medo!
 Quando eles começaram a se animar, ou melhor o Valmir e a Angélica, ou, os pais da Gabriela Vasconcelos, entraram em um trecho de estrada de chão. O carro trepidava na estrada. Mas, por incrível que pareça Gabi não reclamou daquilo, mas aumentou o volume em seus fones de ouvido, para relaxar.


 Chegando mais perto,  viram que o Hotel Floresta estava sem ninguém ocupando, pois o estacionamento estava vazio. Estacionaram e foram pagar a sua estadia. Eles acharam muito barato, com a crise que estavam enfrentando e tudo mais. Colocaram as malas no quarto e um funcionário do Serviço de Hotel explicou como funcionava:
 - É o seguinte, eu posso ajudar vocês com comidas diferentes, dúvidas na instalação e também para arrumar as camas, ir ao mercado, ou fazer qualquer serviço de casa. A taxa que deverá ser acrescentada é de 10 reais a cada dois dias de uso, mas também temos a caixinha onde podem dar gorjetas. A minha está aqui, em cima da mesa da sala. Nós temos o quarto de solteiro com televisão; o de casal com TV que é uma suíte; uma cozinha, que tem armários com comidas mais simples, panelas, talheres, pratos e todo o necessário para aproveitar uma refeição. Também temos dois banheiros, uma sala de estar e uma salinha da bagunça para colocarem bugigangas.
 - Tem Wi-fi? - disse uma voz esperançosa e mal-humorada.
 - Infelizmente, não.
 - Mas obrigada mesmo assim - disse a Angélica se intrometendo, antes que virasse briga.
 - Por nada, qualquer coisa é só tocar a campainha, meu nome é Jefersson, beleza? - disse o homem saindo e fechando a porta.
 Após a saída do Jefersson, o qual chamaremos de mordomo para facilitar, Gabriela Vasconcelos saiu em disparada para o quarto de solteiro com TV, recolocou os seus fones de ouvido, e pôs a sua música favorita para tocar.
 Os pais começaram a conversar como ia ser legal a temporada e enquanto isso foram tirando as coisas da mala e arrumando no Hotel.
 Ao meio dia, tocaram a campainha e o mordomo veio rapidamente e prontamente para atende-los. Pediram que ele instalasse um GPS de última geração que haviam comprado semana passada. Ele montou o equipamento e a família Vasconcelos se dirigiu até o Macarrão Prudente, lugar onde o cliente montava o seu tipo de massa preferido.
 Chegando lá, Angélica fez um macarrão pene ao molho funghi, Valmir fez uma lasanha com recheio de frango desfiado e a Gabi fez o seu prato com um macarrão instantâneo ao molho branco. Sentaram-se em uma das mesas do restaurante e começaram a comer. O humor de Gabi melhorou bastante quando começaram a refeição, pois até tirou seus fones e entrou na conversa em que os pais estavam. Mas não era a toa, pois ali tinha Wi-fi. Após o término da refeição, ela aproveitou para contar as amigas como estava sendo chato aquele primeiro dia no Hotel e tudo que ela queria fazer nessas suas férias. As amigas não ajudavam muito, pois falavam que estavam em spas e visitando vários lugares do mundo.
 Eles saíram dali e foram passear um pouco pela cidade antes de voltarem para o Hotel. Mas a cada momento em que Angélica e Valmir olhavam para o retrovisor interno, a menina mal-humorada fazia mais cara feia ainda! Eles pensaram em levá-la em uma sorveteria que tivesse Internet, pois assim ela melhorava o rosto por algum tempo. Chegando na Sorveteria Presidente, pediram três Petit Gateau's, um para cada um deles. Demorou um pouco, mas enquanto isso a menina melhorava de humor e aproveitava para usar o celular. Comeram a sobremesa e voltaram para o Hotel as 15:30.
 Os pais passaram a tarde assistindo televisão e a garota ouvindo suas músicas e tentando achar algum sinal de internet.
 Antes de fazerem a janta os pais falaram para Gabriela ficar pronta para dormir.
 A menina foi para o banheiro, ligou o chuveiro, mas nem quis tirar os fones, mas quando estava para enxaguar as pernas... O ralo entupiu!


 - Mas... O que é isso? Parece ser a barbatana de um peixe... De um tubarão? Pelo ralo?
 A garota tirou seus fones, olhou mais de perto e viu que parecia mesmo uma barbatana. Ou estavam de brincadeira com ela ou tudo era apenas um sonho.
 Gabriela achou estar sonhando, por isso acreditou mesmo que era um tubarão e, como nos sonhos, após acordar estamos intactos... Continuou para ver até onde aquela história ia.
 A menina saiu do chuveiro, colocou um pijama limpo, pegou um pote grande, pois algumas coisas que pareciam algas no ''aquário'' e foi buscar o peixe.
 Voltando ao banheiro, o ''tubarão'' pulou para dentro do pote cheio de água. Gabi percebeu que ele parecia ser filhote, pois era bem pequeno. A cor da pele dele era um azul reluzente, parecia até ser meio neon!
 Gabriela estava doida para tirar uma foto dele e postar o que tinha achado, mas quando voltou ao quarto, a bateria do seu celular tinha acabado, e ela havia esquecido o carregador dentro da bolsa da mãe.
 Nesse momento, Angélica entrou no quarto enquanto Gabi, rapidamente escondeu o pote dentro de uma gaveta.
 A mãe da menina perguntou o que ela queria jantar e Gabriela falou que, qualquer coisa exceto frutos do mar, estava ótimo. A mãe estranhou, pois a garota sempre era seletiva em relação a comida, mas resolveu aproveitar e fazer algo que o Valmir gostasse.
 Angélica acabou fazendo batatas recheadas que ela fazia quando era noiva do pai de Gabriela, pois sabia que a família apreciaria.
 Todos estavam curiosos, pois Angélica estava fazendo suspense com a janta e tinha um cheiro tão bom vindo da cozinha...
 Eram 21:43 quando as batatas assaram e a mãe chamou o pessoal para comer.
 Gabriela, não sabia o que fazer e o que dar para aquele tubarão. Não podia deixa-lo na gaveta, pois se não arriscava dar alguma coisa no bicho, mas resolveu por embaixo da cama e colocar ao lado do pote um abajur de peixes, que ela tinha, e por sinal, era muito antigo e realista.

(foto da internet)

 Quando o pai e a garota chegaram na cozinha, ficaram com o queixo caído.
 Gabi nunca tinha comido, mas já tinha visto pratos na internet bem parecidos e estava com uma aparência muito boa!
 Começaram a comer e, como o previsto por Angélica, todos amaram.
 Quando a menina terminou, ouviu uns barulhos estranhos vindos do quarto, eram barulhos como se alguém estivesse batendo num plástico.
 Gabriela havia esquecido de alimentar o tubarão!
 Abriu a geladeira, fingiu pegar um pedaço de chocolate, pegou um pote com carne e correu para o quarto.
 O tubarão aparentou ter crescido um pouco, mas como não havia medido, apenas olhou, não teve certeza. Abriu o pote de carne e deu um pouco para o animal que rejeitou delicadamente. A menina não entendeu o porque dele não querer comer a carne, pois peixes dessa espécie são carnívoros assumidos. Mas observou que as algas haviam sumido... Será que ele era vegetariano? Resolveu devolver o pote a geladeira e pegar alface. Ele comeu em abundância e sossegou, mas olhou com os olhos pequenos para o abajur. Então, a viciada em músicas, tirou o fone de ouvido, que tinha uma luz mais suave do que a do abajur, e pois no lugar daquela luz forte.
 Deu boa noite aos outros e deitou na cama.
 O quarto dos seus pais era grudado no dela, tanto que havia uma porta no quarto da menina, que quando aberta, dava caminho direto para o quarto dos pais e assim vice-versa, pois isso, deveria tomar muito cuidado se fosse ver como estava o peixe.
 A garota levantou sete vezes para dar uma olhada no ''seu'' tubarão, mas na sétima vez, observou que ele aparentava ter crescido mais!
 A menina acordou mais cedo do que o de costume para pegar mais saladas para o animal.
 Foi até a geladeira, pé por pé, para trazer rúcula. Entrou no quarto e deu umas folhinhas para ele que comeu e ficou muito feliz, pois parecia até ter sorrido!
 A garota resolveu dar mais dois macinhos de rúcula, pois se não arriscava do peixinho morrer de fome.
 Mas algo dentro dela falou que deveria ajudar seus pais e levar a eles um café-da-manhã na cama caprichado.
 Ela fez panqueca de legumes, como entrada e panquecas de chocolate de sobremesa. Achou uma bandeja bem ajeitada, foi para o quarto de solteiro com TV e bateu na porta que dava para o quarto dos pais.
 Após a permissão deles, ela entrou com cara de garçonete:
 - Olá, jovem casal! Hoje nosso prato do dia são panquecas de legumes e chocolate, gostariam de uma?
 - Sim, belíssima garçonete - disseram os pais entrando na brincadeira.
 - Ótimo, desejam um café, água com gás, leite ou vitamina?
 - Uma água com gás para cada um por favor!
 - Perfeito, logo retorno com as águas - disse Gabi retornado a cozinha.
 Ela abriu a porta da geladeira pegou a garrafa de água com gás, colocou um pouco em cada uma das duas taças e levou até o quarto dos ''clientes''.
 Chegando lá, entregou as taças, pegou os pratos sujos, esperou terminarem a água e levou toda a louça para lavar. Ligou a lavadora de louças super potente, voltou para o quarto colocar uma roupa, mas sentiu que hoje deveria vestir algo um pouco mais comportado, sem tanto preto e correntes.
 Ela pois um vestido que era bem diferente do que estava acostumada e soltou o cabelo, mas com aquele look se sentiu mais disposta a fazer coisas novas e não apenas ficar no seu fone e com as suas músicas.

Foto da internet
 Quando ela estava observando no espelho como tinha ficado o vestido e o cabelo solto, a mãe dela entrou e assobiou para a filha, que ficou muito envergonhada, mas mesmo assim perguntou se tinha ficado bonita. A mãe respondeu que nunca havia visto uma menina tão charmosa como a que estava vendo ali. A garota agradeceu e ficou mais confiante ainda. Mas na verdade, o que a mãe tinha vindo fazer ali era perguntar se ela não gostaria de tomar café, pois se quisesse, tinha sobrado massa de panquecas para fazer. Ela aceitou e falou que queria uma de chocolate, sabor que era muito raro ela pedir.
 A mãe da Gabi estava achando a filha muito bem humorada naquele dia e na noite anterior. Falou para Valmir observar como estava tendo comportamentos diferentes, mas para melhor. Ele disse que prestaria mais atenção.
 A garota foi até a salinha da bagunça para procurar algo que fosse maior para substituir o antigo aquário, pois agora o seu tamanho era de quase quarenta centímetros de comprimento!
 Ohh! Um aquário prontinho, com algas; termômetro; pote de comida; cascalho; régua na borda superior; conchas e filtro. E além de tudo tinha um metro e meio de comprimento, assim o tubarão poderia crescer por mais uma longa temporada.
 Era perfeito, por isso a menina foi ao quarto, pegou o pote com o tubarão e fez o peixe saltar para o novo aquário, que estava com água que ela tinha posto ali.
 Ele logo se adaptou, e Gabriela ficou olhando com uma cara de satisfeita para ele, que nesse momento estava olhando para ela e cresceu mais cinco centímetros, a menina tinha certeza, mas não sabia o porque daquilo.
 Ela parou um pouco para pensar no que fazer para que os pais não o descobrissem ali.
 Mas enquanto estava nesse pensamento outro entrou em sua mente em negrito:
'' Mas se isso é sólido mesmo, não pode ser um sonho!
  Além do que, está durando tempo demais e é muito real! ''
 Daí sim Gabriela começou a se preocupar!
 O que ela faria com ele? Logo mais os pais iam perceber a falta de saladas e um aquário enorme ali.
 Resolveu pedir ao Serviço de Hotel para trazer vários tipos de saladas, mas que ele entregasse na janela do quarto da menina. Especificou, que se tivesse rúcula, alface e espinafre, seria imprescindível trazer. Pegou a sua carteira, tirou uma nota de cem dela e disse que assim que ele voltasse, pagava.
 É melhor prevenir, pensou ela.
 Meia hora depois, Jefersson chegou silenciosamente a janela da Gabi, lhe entregou as saladas e recebeu o valor dela. A menina separou a alface, a rúcula, a alface americana e o espinafre. E as saladas: brócolis, repolho, cenoura e rabanete, foram levadas pela Gabi Vasconcelos para a geladeira na cozinha. Chegando lá a menina olhou no relógio, e eram dez e vinte e quatro. Angélica aproveitou para servir o café a ela.
 Após o término da refeição, agradeceu a mãe (algo raro) e voltou para o quarto da bagunça para monitorar o tubarão.
 Chegando lá, lembrou de uma loja em que havia passado por frente durante o trajeto até a sorveteria  que vendia câmeras de todos os modelos, tamanhos e cores. Foi a sala, onde estavam Valmir e Angélica e perguntou se podia sair de bicicleta para explorar a cidade. Os pais responderam que sim, mas que voltasse antes das 11:30.
 Pegou sua bicicleta e saiu, sem seus fones e celular para procurar a loja.
 Tentou lembrar qual era o caminho para a sorveteria, mas estava meio perdida. Até que achou uma pessoa que estava distribuindo mapas turísticos da cidade. Era isso que ela precisava. Pegou um, localizou-se e logo começou a ver coisas familiares. Dez minutos depois de sair do Hotel Floresta, achou a loja e logo entrou.
 - Bom dia! Gostaria de saber onde encontro micro cameras para espionagem.
 - Na outra quadra tem duas!
 - Aqui não tem?
 - Tem sim, só estava brincando! Que tamanho?
 - A menor possível. Qual é o seu nome?
 - Bernardo Ribas. Esta aqui é bem legal e é a menor por enquanto.
 - Quem criou?
 - Uma tal de Vanessa Aipse...
 - Sabia! Quanto é?
 - Vinte e dois reais!
 - Minha. Está aqui.
 Voltou correndo para casa! Tinha que colocar a câmera na salinha de bagunça, pois assim ninguém desconfiaria que ela estava escondendo algo lá.
 Chegou 11:15 em casa e correu por a espiã em ação. Colocou no teto, bem em cima do aquário. Ela era desse tamanho:

Foto da Internet.
A Gabi Vasconcelos resolveu cobrir o aquário com um lençol, assim ninguém desconfiaria, pois tinham muitas coisas cobertas por ali.
As 11:45, Angélica chamou o pessoal para comer.
Estava tudo uma delícia, a mãe caprichou tanto, que fez até uma sobremesa chamada pavê de amendoim com biscoito.
 As três da tarde, finalmente conseguiu baixar um programa para ficar conectada com a câmera espiã.
 Checou as filmagens. Estava tudo certo, ninguém tinha entrado no quarto.
 Resolveu colocar as mãos na massa. Precisava desenvolver um aparelho que avisasse quando algum perigo aparecesse. Pegou umas geringonças da salinha monitorada, umas chaves de fenda, martelos e outras coisas do gênero.  Martelou, chaveou, desrosqueou, apertou... E enfim, ficou pronto.
 A menina resolveu chamar a engenhoca de Alarmubarão, em homenagem ao peixe.
 Ela foi até o aquário no quarto da bagunça para ver o tubarão e instalar o alarme.
 Instalou. Descobriu o vidro com água e viu que o bichinho estava com uma cara de faminto. É melhor eu alimenta-lo logo, antes que sobre para as algas decorativas, pensou ela. 
 Foi até a geladeira do quarto dela, onde ela tinha guardado o alimento, pegou uma porção grande de cada uma das saladas e voltou para dar ao peixe.
 Enquanto dava a ele a comida, pensou em dar um nome para ele, pois estava cansada de os pensamentos virem como peixe ou tubarão, ele era muito mais especial que isso. Viu novamente ele crescer mais cinco centímetros, mas agora já estava acostumada, e continuou a pensar em um nome. Cinco minutos depois achou. Vegetuba. Era meio exótico, mas pelo menos ia ser o único a ter esse nome.
 Quando foi chamado por Vegetuba, ele começou a dar saltos, como se ela tivesse adivinhado o seu verdadeiro nome.
 Ela estava curiosíssima para saber a verdadeira história de como o ''Vege'' tinha vindo parar no ralo do Hotel Floresta. Resolveu pedir ao Serviço de Hotel, para procurar pela cidade toda um tradutor de animais, mas que entregasse na janela novamente.
 Jefferson voltou, entregou rapidamente e pediu para que deixasse o pagamento na caixa da gorjeta, pois no momento, estava com pressa.
 A menina abriu espalhafatosamente a embalagem do aparelho e ligou.
 Foi até o quarto onde estava o Vegetuba e falou apertando o botão de tradução tubarão - humano e vice e versa:
 - Meu nome é Gabriela Vasconcelos. Gostaria de saber se você me entende.
 Um segundo depois o aparelho pediu para ser posto na água. A garota fez isso e ele começou a borbulhar. O Vegetuba solto mais uns grunhidos e bolhas e saiu como tradução:
 - Sim. Meu apelido é Vegetuba, mas o nome, Tubariano, quase ninguém usa. Sabe em que mar eu estou?
 E a cada frase o tradutor ia funcionando...
 - Você não está em mar nenhum, isso aqui é um Hotel, um lugar onde as pessoas, os peixes da terra firme, ficam quando não tem o que fazer.
 - Hotel... Você sabia que eu sou vegetariano?
 - Deu para perceber... O que você gosta mais de comer?
 - Algo que me deu, que vinha em maços, parece bastante com uma alga do oceano profundo.
 - Ahnn... Mas como e porque veio para cá?
 - Bom, é que a minha família não me aceita do jeito que eu sou, vegetariano, por isso fui banido do oceano, me perdi, e casualmente vim parar aqui.
 - Que história a sua... Algo que eu ainda estou curiosa para saber é porque você cresce tão rápido?
 - Bom, meus pais falaram que quando recebemos ou vemos alguém dando alguns sentimentos chamados: atenção, carinho, amor, confiança respeito, nós crescemos mais rápido, e nos tornamos fiéis a aquele peixe. Mas eu nunca entendi o sentido dessas palavras.
 - Obrigada!
 - Obrigado a você, faz dias que não converso com alguém. Mas não tem ninguém mais nesse Hotel?
 - Tem sim, mas estou te mantendo em segredo dos meus pais, pois não sei qual será a reação quando souberem que estou cuidando de um tubarão.
 - Eu gostaria muito de conhecê-los. Eles são legais?
 - Muito, mas as vezes não percebo tudo que eles fazem por mim - disse Gabriela vendo que o tubarão havia crescido mais.
 - Seguinte, estou querendo assistir ao show da Katy Perry dia 20, será que nós vamos passar pela cidade de São Paulo para voltar para o nosso oceano?
 Gabriela quase riu. Primeiro por ele falar ''nosso'' oceano e segundo pois ele sabia que uma cantora humana iria cantar e ainda sabia a data, mas se conteve e perguntou como ele sabia do show.
 Ele respondeu:
 - Bom, é que próximo do oceano onde eu morav havia uma praia que tinha vários anúncios de propaganda sobre ela... Mas você vai me levar para o seu mar, não vai me abandonar aqui, não é?
 - Não vou não, nem que para isso tenha que convencer meus pais disso.
 - Que bom! Estou ansioso para conhece-la melhor, você já teve quantos peixes de estimação?
 - Contando com você... Acho que um só!
 - Mas não parece... Você é muito responsável comigo. Mas encurtando o papo, estou com fome, pode pedir uma pizza de legumes para mim?
 - Claro! Meia hora depois eu volto aqui beleza, você espera?
 - Sim, até.
 E a menina desativou o aparelho e colocou-o para carregar.
 Foi até a cozinha e pediu aos pais pizza de legumes, pois estava com muita vontade. Como Gabi estava com uns "pontos a mais" com os pais eles falaram que ela poderia pedir sozinha pelo telefone e o sabor de desejo dela. Agradeceu e correu para o quarto para ligar:
 - Alô, quem fala?
 - Pizzaria Presidente Prudente, Bernardo Ribas a seu dispor. Qual o tamanho da pizza? Temos a prefeito, com 5 pedaços, a governador com 8 pedaços e a presidente com 12 pedaços.
 - Eu gostaria da governador, quantos sabores podem ser?
 - Até quatro.
 - Quatro sabores então, rúcula com tomate seco, legumes, da casa e sorvete de limão.
 - Refrigerante também?
 - Não.
 - Endereço?
 - Não.
 - Não o que?
 - Brincadeira. Hotel Floresta família Vasconcelos.
 -  Beleza, troco para cinquenta?
 - Sim.
 - Daqui meia hora está aí.
 Eles encerraram a conversa e a menina checou a carga do seu celular para poder tirar uma foto do tubarão para mostrar as amigas. Mas quando esse pensamento veio a cabeça dela o tubarão diminuiu dez centímetros.
 Como ela havia descoberto o mistério do crescimento do Tubariano, e viu que ele encolheu usou o seguinte raciocínio:
   SE ELE CRESCE QUANDO DAMOS AMOR, DEVE ENCOLHER QUANDO FAZEMOS ALGO ERRADO!
 Seguindo isso, ela resolveu não mostrar para elas ainda, pois nem sabia se ele poderia mesmo morar com ela...
 Voltou para a cozinha para repassar aos pais a conversa.
 Conversas depois, chegou a pizza. Eles comeram sem pressa, pois estavam tirando os atrasos de anos de conversas com a Gabriela. A menina, que estava com uma bolsa forrada com papel toalha, pegou um pedaço da pizza de legumes e outro de tomate seco, colocou na bolsa e foi para o quarto da bagunça.
 Chegando lá, o tubarão olhou para a pizza morrendo de fome e, quase esqueceu da educação. Quase.
Pois pediu com borbulhas para que ela desse as fatias a ele, pois estava faminto. Ela obviamente aceitou e entregou para ele nas nadadeiras, que eram ásperas e delicadas ao mesmo tempo.
 A garota passou os dias vendo o tubarão crescer, crescer e crescer, mas agora achou que ele estava ficando grande demais! Ele já estava com um metro e quinze em menos de vinte dias!
 O tempo passou, mas um dia para ser lembrado, foi o dia 18/01...
 Durante o almoço em família, no Hotel Floresta, chegaram no assunto do dia de partida. Agora Gabriela estava se sentindo totalmente em casa ali, pois podia conversar mais com a família, e tinha um amigo para compartilhar as novidades. Mas a conversa foi a seguinte:
 - Então gente, as nossas férias estão acabando, por isso, eu e a Angélica decidimos que amanhã a tarde voltaremos para São Paulo. - Começou Valmir o assunto que logo viraria polêmico.
 - Sério? Já? Passaram tão rápidos esses 17 dias aqui. - Continuou a garota
 - É, observamos que no começo estavam demorando não é, Gabi?
 - Depois me acostumei, esse lugar é realmente especial, ele mudou totalmente o meu estilo e a minha vida também! Mas também estou muito contente por poder assistir o show da Katy.
 - O que será que tem de especial aqui?
 - Ah... Chegou a hora de mostrar a vocês  minha "surpresa''.
 - Amamos surpresas.
 - Não se assustem e por favor, não o julguem antes de conhece-lo...
A cabeça dos pais fervilhava de ideias, pois com tanto suspense, quem não ficaria ansioso?
 A menina falou a palavra chave hotel, para desativar os sistema de monitoramento, para poder entrar com os pais na salinha da bagunça, acendeu as luzes e tirou o lençol:
 O tubarão foi descoberto!
 Mas como o bichano era esperto, não mostrou os dentinhos, para não assustar os pais de Gabriela Vasconcelos. Valmir e Angélica ficaram de queixo caído e perguntaram aonde ela havia conseguido ''aquela coisa''. A menina respondeu:
 - É uma história que o que não tem de longa tem de esquisita, no começo eu achei estar sonhando, mas nem um sonho dura mais que uma noite... - E contou toda a história detalhada aos pais.
 - Menina... Com essa você se superou! Conseguiu manter segredo total dele, até para nós. Mas como você ainda esta viva? - Disse o pai brincando.
 - Lembram que eu contei que é vegetariano? Ele odeia carne, mas chegando direto ao ponto... Quanto custa uma van para animais?
 - Cinquenta no máximo.
 - Posso ligar e agendar uma viagem daqui até São Paulo para o Vegetuba?
 - Como? Você quer ter um tubarão em casa?
 - Sim, só não vou querer se morarmos em um apartamento, aí eu gostaria de ter um tubarão em apartamento. - Disse Gabi brincando mas em um tom de seriedade e os pais responderam a ela:
 - Querida, você sabe que cuidar de um animal não é fácil e tem todo o trabalho...
 - Mas eu consegui, além de cuidar de um tubarão, mante-lo em segredo, por todo esse tempo. Acham que sem ter que esconde-lo não vou conseguir ter responsabilidades?
 Por uns três minutos os pais discutiram o assunto entre eles sem aceitar sugestões ou opiniões da filha. Enfim:
 - Não.
 - Não - disse Gabi em tom de choro
 - Não temos dúvidas que podemos ficar com ele, pois afinal de contas ele te ajudou a superar várias barreiras essas férias e será bom ter alguém para comer as verduras que eu costumo deixar no prato. - Disse o pai rindo - A propósito, eu vou pagar as despesas da viagem para ele.
 - Não senhor, mocinho, quem vai pagar o pacote incluindo comida para ele sou eu, se não não tenho como nome Angéllica.
 - Como não se chama Angéllica e sim Angélica, quem paga sou eu, pois fui eu quem quis que ele fosse morar conosco - Respondeu a filha.
 - Vamos combinar que dividiremos em três as despesas, está claro?
 - Sim Valmir - disseram as meninas rindo.
A viagem foi muito tranquila, mas na verdade a van foi comprada, pois assim eles poderiam levar o Tubariano para passear.
 No dia 20/01 as 20:01 Katy Perry subiu ao palco e arrancou gritos e muitas borbulhas de fãs de todos os países e... categorias, vamos dizer assim.
 Aos dezesseis anos, todos os cinco integrantes da família Vasconcelos: Gabriela, Valmir, Angélica, Tubariano e Vegetara ( esposa do Tubariano ), foram para a Disney dos EUA e se divertiram muito.
 A família só cresceu daí para a frente, nasceram os bebês tubarões, que foram educados pelo pai a serem vegetarianos. Essa foi a história de Gabriela e Tubariano!