terça-feira, 25 de abril de 2017

Sem título

Não sei o que fazer!
Estou acabada.
Não consigo, já tentei.
Essa espera me deixa ansiosa.

Não sei o que fazer!
Estou inchada.
Já tentei parar, mas não consigo.
Essa frustração me derruba.

Não sei o que fazer!
Estou desesperada.
Não consegui, mas ainda não desisti.
Essa tristeza me corroe por dentro e por fora.

Não sei o que fazer!
Estou pensativa.
Tento me recuperar, mas até agora nada.
Essa infelicidade me diminui a cada barulho.

Não sei o que fazer!
Estou parada.
Estou procurando forças e argumentos.
Esse abismo me puxa para dentro.

Não sei o que fazer!
Estou agoniada.
Tento me reerguer, mas vou cada vez mais para dentro desse tormento.
Esses furacões me deixam tonta.

Não sei o que fazer!
Estou em silêncio.
A única coisa que me resta é esse silêncio, que pode durar minutos ou a vida toda.
Esses pensamentos me puxam para um mundo onde não consigo me acalmar.

Não sei o que fazer!
Estou aflita.
Tento sair do buraco, mas a corda está descendo muito lentamente.
Esse vento frio, só faz minhas lágrimas virarem barro, que me prende pior ao abismo.

Não sei o que fazer!
Estou tentando.
Mesmo com tudo contra mim, estou tentando.
Esse arco íris me lembra das coisas boas.

Não sei o que fazer!
Estou me agarrando.
Meu corpo balança muito.
Esse frio me faz tremer.

Não sei o que fazer!
Estou pedindo socorro.
As pessoas que poderiam me ajudar estão presas e não conseguem vir até mim.
Essa lua me recorda a noite anterior: calma, tranquila e feliz.

Não sei o que fazer!
Estou sufocada pela mágoa.
O dia nasce e eu aqui, só conseguindo ver a água agitada ao meu redor.
Esse céu escuro faz eu me desesperar.

Não sei o que fazer!
Estou sentada.
O meu corpo amorteceu, e o buraco está se fechando.
Essas formigas que andam pelo meu corpo lembram o jardim da minha casa.

Não sei o que fazer!
Estou triste.
Ainda tem um fresto por onde vejo o sol escondido pelas nuvens que acabaram de chegar.
Esse sol lembra a praia, lugar onde estive semana passada.

Não sei o que fazer!
Estou aqui.
Escavei uma abertura por baixo da terra, que é apertada e vazia, a não ser por alguns siris e caranguejos.
Esse túnel me lembra todas as brincadeiras em baixo das cobertas da minha infância.

Não sei o que fazer!
Estou correndo no lugar.
A abertura que escavei desabou, e minhas esperanças estão ficando apagadas.
Essa solidão me ajuda a sentir mais dores em meu coração.

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